Este artigo estuda o lugar dos ‘índios’ e ‘mamelucos’ na formação do povo piauiense a partir da análise de um ensaio do historiador Odilon Nunes. Para realizar uma antropologia da história, estuda-se uma narrativa histórica concreta para entender como a história funciona. Perseguindo os procedimentos de silenciamento indígena no ensaio de Odilon Nunes, o artigo realiza uma investigação internalista do texto e expõe os modos de historicização que relegam os indígenas ao lugar da não história, bem como a retórica da alteridade usada por Odilon Nunes. Em seguida, a análise contrasta a narrativa da história de Odilon Nunes a outras narrativas da história piauiense, expondo as brechas entre elas. Descrevem-se as diferenças do lugar da população miscigenada na formação do povo piauiense, do uso de dados censitários, do lugar dos jesuítas na colonização do Piauí e da sua relação com o suposto fim dos indígenas. A análise de uma narrativa da história piauiense soma-se a trabalhos recentes na antropologia brasileira sobre histórias locais, regionais ou nacionais, abrindo espaço para reflexões sobre os modos das histórias produzirem coletivos, homogeneizações e alterizações.
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| Paula, Camila Galan de, Odilon Nunes e a composição do povo piauiense.pdf | 271.38 KB |