Resumo: Esta etnografia foi constituída a partir de conversas com diferentes homens aprisionados em um pavilhão, pertencente ao PCC, do Complexo Prisional de São Luís-MA, conhecido como "Penitenciária de Pedrinhas". A partir dessas conversas, procuro descrever, inicialmente, o que meus interlocutores compreendem como uma maneira digna de cumprimento de pena, pelo cumprimento de seus direitos, e a forma que desenvolveram para os demandar. Depois, a partir do problema disparador de nosso campo, o trabalho dentro daquela Unidade, discuto como os irmãos e companheiros entendem a escassez de oportunidades de trabalho ali operante, relacionada à categoria estatal "faccionados". Defendem que são "faccionados" específicos, e entendem que a administração prisional também pressupõe essa especificidade. Me debruço ainda sobre como os predicados sugeridos pelo termo "faccionado" são ressignificados por meus interlocutores a partir de suas experiências com o crime. Por fim, percorro os modos como os irmãos e companheiros definem o Estado, a Justiça e a administração prisional, referentes cujo grau de abstração é circunstancialmente definido. Depois, em oposição, procuro delinear as razões pelas quais meus interlocutores enxergam a si mesmos e ao PCC, em sua transcendência, como o certo. Trata-se, portanto, de uma descrição analítica resultante do encontro entre as questões elencadas por alguns homens deste pavilhão e as incitações e escutas por parte de mim e da minha co-orientadora. Um texto que descreve pontos de vista produtores de sucessivas refrações, e que é, por isso, ele mesmo uma refração do que irmãos e companheiros me contaram
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